Que chegada!!!

A temporada de 1969 estava um porre!!! Jackie Stewart disparara na ponta e das sete corridas disputadas até então, o escocês havia abandonado uma, vencido cinco e chegado em segundo em outra.

Quando a F1 aportou em Monza para o GP da Itália no dia 07 de setembro, muitos imaginaram que seria mais um baile do piloto da Matra, pois mesmo largando em terceiro, com a performance que vinha apresentando e como na época os pilotos ainda ultrapassavam, não era devaneio imaginar isso.

Jackie Stewart venceu, mas não da forma fácil que muitos imaginaram. Ultrapassando Jochen Rindt da Lotus na curva Parabolica, ou seja na última curva, da última volta, Jackie tinha ainda em seu encalço, além do próprio Rindt, seu companheiro Jean Pierre Beltoise e Bruce McLaren. Resultado? Uma das chegadas mais apertadas da história!!! De quebra, o primeiro título do tricampeão.

1 - Jackie Stewart/Matra-Ford
2 - Jochen Rindt/Lotus-Ford/ + 0.08
3 - Jean Pierre Beltoise/Matra-Ford/ + 0.17
4 - Bruce McLaren/McLaren-Ford/ + 0.19

Apenas 80 milésimos de segundo separando o primeiro do segundo colocado e 190 milésimos separando o primeiro do quarto.



Macarrão à guard-rail.

Primeiramente quero lhes pedir muitas desculpas pelo hiato entre essas duas postagens de hoje e as anteriores. Mudanças em minha vida estão me deixando sem internet e isso está me causando muitas dificuldades para atualizar os meus blogs. Mas vamos ao que interessa.

Domingo de Grande Prêmio de Mônaco e lá ia o pole-position Ayrton Senna em sua corrida de estréia pela McLaren no principado. No ano anterior, de Lotus, ele já havia vencido e estava com a segunda vitória engatilhada, afinal de contas largando em primeiro, em uma pista onde se dava muito bem e era, ou melhor, é dificílima de ultrapassar, nos fazia vislumbrar tal resultado.

Já morador de Monte Carlo, Ayrton saiu do seu apartamento pedindo a sua empregada, Izabel, para fazer um macarrão especial que ele gostava muito e recomendando que não abrisse a porta ou atendesse ao telefone em hipótese alguma: “Não estou esperando ninguém. Não abra a porta, não atenda (sic!) o telefone, a campainha nem o interfone, eu tenho as chaves. Prepare aquele macarrão”. Tal fala, de acordo com o jornalista Lemyr Martins, é atribuída ao próprio Senna e teria sido pronunciada a Izabel.

Tudo conforme o esperado e planejado... Senna na liderança, Izabel dando uma ajeitada no apartamento e aguardando a volta do patrão para saborear a bela massa. Imagino que os que acompanham esse blog já sabem o resultado da corrida. Faltando 12 voltas para o final e 57 segundo a frente do segundo colocado, Senna cometeu o que talvez tenha sido a maior barbeiragem de sua carreira e acertou o guard-rail na entrada do túnel. Irritado com sua barbeiragem, Senna pulou do carro e correu para casa sem passar pelos boxes da equipe.

Com 60 voltas e com a certeza de que era questão de tempo a vitória, Izabel voltou aos afazeres domésticos. Pouco tempo depois ouviu o interfone tocar. Se lembrando das palavras do patrão não atendeu. Depois foi a vez da campainha ser acionada insistentemente. Novamente ignorou. Voltou-se para a tv para ver o patrão recebendo seu prêmio de vencedor, mas viu foi Alain Prost.

Foi então que Izabel se lembrou da campainha e tomou coragem de atender a porta. Olhou pelo olho mágico e viu o patrão sentado no chão e cabisbaixo ainda de macacão.



Vai uma caneca de gasolina aí?

GP da Suécia de 1977. Faltando duas voltas para o final, na liderança e 28 segundos a frente de Jacques Laffite da Ligier, Mário Andretti já tinha feito o velho Chapman ir para a beira da pista para preparar o tradicional arremesso do boné preto. Quando estupefatos, todos vêem Andretti adentrar nos boxes. Acabara a gasolina.

Os engenheiros da equipe haviam desenvolvido um sistema de sucção mais eficiente, mas o piloto ítalo-americano havia largado com o carro reserva que não dispunha de tal sistema. Resultado? O tubo do recipiente de combustível não encaixava no bocal do tanque.

Pegos de surpresa, a equipe teve que improvisar. E fez o reabastecimento com uma canequinha!!!!! Andretti voltou a pista e chegou em sexto.

A vitória de Laffite foi a primeira de um piloto francês por uma equipe francesa equipada com um motor francês. Ou seja, o ítalo-americano Andretti, correndo por uma equipe inglesa, entrou para a história do automobilismo francês.

Off - Lei seca nele!!!

Grande Prêmio de Pau da WTCC, bandeira amarela em todo circuito, safety car na pista e...



Do jeito que o piloto do safety car saiu dos boxes, podemos inferir que ele havia bebido algumas taças de algum bom vinho francês momentos antes.

Valeu Rato!!!

Rock'n'Roll é uma maravilha em todas suas vertentes e quando é usado para homenagear um ícone como esse, fica mais perfeito ainda. Bela combinação!



Obrigado Gachot!!!

Fazendo sua estréia na Fórmula 1 em 1989 pela Onyx, Bertrand Gachot tinha de tudo para ser mais um bom piloto de sucesso nas categorias de base que não vingou na categoria máxima se em 1991 não tivesse acertado com Eddie Jordan para ser piloto de um dos carros da emergente escuderia ao seu lado do inconstante Andrea de Cesaris.

Gachot no cockpit da Jordan...

Mas os motivos pelo qual o luxemburguês, que corria pela Bélgica, mudou a história da Fórmula 1 começam antes mesmo da temporada. Durante o inverno do hemisfério norte, entre 1990 e 1991, Gachot se envolveu em uma briga de trânsito em Londres, cidade onde morava desde 1984, com o taxista Eric Court. Os dois partiram para as vias de fato! Gachot tinha um spray de pimenta que borrifou nos olhos do taxista. Mesmo morando a tanto tempo na Inglaterra, o "belga" não sabia que tal equipamento era proibido nas terras da Rainha. Resultado? Bertrand foi notificado pela polícia inglesa e processado por Court.

Iniciada a temporada, os resultados logo começaram a aparecer, no GP do Canadá obteve um quinto lugar e os primeiros pontos na Fórmula 1. No GP da Hungria, mais pontos com direito a melhor volta da corrida.

... e no GP do Canadá, palco de seus primeiros pontos.

Duas semanas após a corrida magiar, o circo aportaria na Bélgica. Gachot teria a oportunidade de mostrar serviço diante de seus fãs. Contudo, tudo o que Gachot tinha construído até aquele momento foi destruído quando foi julgado culpado por usar, de forma ilegal, spray de pimenta em sua briga de trânsito em Londres meses atrás. A F1 ficou em choque com Gachot sendo mandado para uma prisão inglesa bem no auge de sua carreira. Seus "compatriotas" Thierry Boutsen e Eric van de Poele fizeram uma manifestação em frente ao consulado britânico em Bruxelas pedindo a libertação do colega. Mas ele não seria libertado até outubro. Quando a F1 chegou à Spa, vários torcedores belgas vestiam uma camisa pedindo a soltura de Gachot. Com seu piloto na prisão, Eddie Jordan não hesitou em procurar um novo piloto. Um empresário alemão chamado Willi Weber foi conversar com Jordan a respeito de um jovem piloto alemão que estava na época correndo no Mundial de Esporte-Protótipo pela equipe Mercedes. Weber convenceu Jordan a negociar com a Mercedes e a montadora alemã concordou em liberar 300.000 dólares para comprar um cockpit para o seu protegido, ao menos para o GP da Bélgica. Tudo o que se sabia sobre esse rapaz era que ele tinha vencido o campeonato alemão de F3 e derrotado a estrela da F3 da época, Mika Hakkinen, no GP de Macau em 1990. Seu nome?

Michael Schumacher.

Schumacher no cockpit da Jordan em sua corrida de estréia...

... e ao lado de Eddie Jordan.

Fish and chips... and F1!!!

Lá nas terras da Rainha, a BBC voltou a transmitir a F1 após 12 anos. Dêem só uma olhada na abertura oficial que a emissora preparou para retornar com chave de ouro. O tema de abertura é "The Chain" do Fleetwood Mac.



Muito legal! Vai demorar um tempinho ainda para chegarmos, se é que vamos chegar, ao nível da transmissão que os britânicos tem acompanhado. Lá se faz toda uma preparação para as corridas antes dessas iniciarem. Uma espécie de mesa-redonda com comentaristas discutindo as possibilidade, analisando diversos temas relacionados... Mas de qualquer forma não podemos reclamar muito, pois existem outros lugares onde se interrompe as corridas para transmissão de comerciais, coisa que estamos livres.

Conselho de pai!

6 de outubro de 1974, GP dos Estados Unidos em Watkins Glen. Um dia histórico para o automobilismo brasileiro! Nesse dia, Emerson Fittipaldi se sagraria bicampeão mundial de Fórmula 1 com o quarto lugar conquistado. Completando a festa brasileira, lá estava Pace no pódio em segundo lugar.

Nesse dia, Moco correu com um desenho diferente no capacete. Segundo o piloto, o falecido pai havia aparecido para ele em um sonho e dito para que a flecha tradicional fosse apagada. "A flecha apontada para baixo pesa muito, meu filho, livre-se desse peso". Na mesma hora, Pace saltou da cama e com uma gilete raspou as pontas agudas da flecha, transformando-a em uma faixa amarela.

Montagem mostrando a flecha antes de depois de raspada.
Orignalmente publicado no livro Os Arquivos da Fórmula 1 de Lemyr Martins
.

Parece que tal fato trouxe mais força para Moco, pois além de chegar ao pódio e ter feito a volta mais rápida da corrida, resistiu a duas costelas quebradas em um impacto contra a lateral do cockpit quando o cinto de segurança se soltou ainda na segunda volta da corrida.

Off - Acidente brutal no Rali de Portugal

Rali de Portugal e la vai o finlandês Jarí-Matti Latvala...




...morro abaixo!

Mostrando mais uma vez a capacidade da tecnologia no que se refere a segurança no automobilismo, o piloto e o co-piloto nada sofreram!

Gentlemen, start your engines!!!

Como eu disse na primeira postagem do blog, nesse espaço pretendo também falar de outras categorias além da Fórmula 1. Vamos falar sobre Fórmula Indy? Ainda não!!! Como vocês sabem, grandes prêmios já existiam de forma isolada em diversas partes do mundo, porém somente em 1950, teve-se a idéia de atribuir pontos de acordo com a classificação de tais grandes prêmios para ao final aclamar algum piloto como campeão mundial. Surge então a Fórmula 1 como conhecemos. Um desses grandes prêmios ocorria desde 1911 na cidade americana de Indianápolis. Já tradicional, as 500 milhas fizeram parte do calendário inicial da Fórmula 1. Isso ocorreu de 1950, quando instituiu-se o campeonato mundial, até 1960.

Ascari de Ferrari nas 500 milhas de 1952

As equipes que disputavam os GPs na Europa não mostravam grande interesse em atravessar o Atlântico para participar da prova do leite, de modo que foi apenas em 1965, quando já não fazia parte do calendário da Fórmula 1, que um piloto que disputava o mundial venceu as 500 milhas. Tratou-se de Jim Clark. Nesse ano, Clark ainda se sagraria bicampeão mundial. O ano de seu primeiro título, 1963, marcou a estréia do Escocês Voador em Indianápolis. Nesse ano, o Lotus de motor traseiro foi motivo de piada antes da corrida, mas quase venceu. Em agosto, participou de outra etapa da Fórmula Indy, em Milwalkee, onde chegou em primeiro após dura batalha com Foyt III e Gurney.

Clark conversando com Chapman na Indy 500 de 1965

Em 1966, foi a vez de Graham Hill vencer a Indy 500 enquanto disputava o mundial de Fórmula 1.

Mas e nos anos em que fez parte do mundial? Quem foram os vencedores?

1950 Johnnie Parsons
1951 Lee Wallard
1952 Troy Ruttman
1953 Bill Vukovich
1954 Bill Vukovich
1955 Bob Sweikert
1956 Pat Flaherty
1957 Sam Hanks
1958 Jim Bryan
1959 Rodger Ward
1960 Jim Rathmann

Todos dos Estados Unidos. O Indianapolis Motor Speedway, é até hoje o circuito onde ocorreram mais acidentes fatais na Fórmula 1, 8 no total. Mas, falaremos disso outro dia. Até!

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